quinta-feira, 21 de maio de 2009

Conteúdo: Relações Públicas e Marketing - convergências e distinções

A grande parte das organizações mostram que os profissionais de Relações Públicas e Marketing têm realizado suas atividades de forma independente buscando, separadamente, os objetivos de suas próprias áreas. Apesar de ambos serem fluxos relacionais e não informacionais como Jornalismo e Publicidade e Propaganda e, portanto, ser teoricamente mais fácil coincidir pensamentos e trabalharem juntos.

Basicamente, a diferença entre Marketing e Relações Públicas é, respectivamente, determinar metas e estratégias para posicionar de forma diferenciada a empresa no mercado, e planejar e realizar ações com o objetivo de melhorar a relação entre a organização e seus públicos. 

Sob o olhar de James E. Grunig, as dessemelhanças resultam na seguinte tabela:                                                            Marketing                           Relações Públicas

Meio de atuação

econômico

social

Enxerga as pessoas

consumidores

públicos

Busca resultado

tangível

intangível

Relacionamento

curto prazo

longo prazo


Embora o Marketing busque aumento das vendas, diversificação dos produtos e/ou serviços e mais lucro (coisas tangíveis) e as Relações Públicas imagem positiva, credibilidade e boa reputação (consequências intangíveis), se optarmos pelo ângulo das semelhanças, as duas subáreas da Comunicação Social têm como missão cooperar para o alcance dos resultados e objetivos das empresas e instituições, buscando o atendimento eficaz das necessidades dos seus públicos e da sociedade.

No artigo "Relações Públicas e Marketing, uma abordagem estratégica" de Geraldo Luciano Toledo (Prof. Titular e Chefe do Depto. de Administração - FEA-USP) e Waldir Gutierrez Fortes (Doutorando em Relações Públicas - ECA-USP) acreditam que por essas áreas serem atividades relevantes, sob o ponto de vista da comunicação como informativa e persuasiva, deveriam unir seus objetivos mesmo que os métodos para alcançá-los sejam distintos.


Eles afirmam ainda que "sob o enfoque da administração estratégica, é possível visualizar um campo de ação mais amplo que o tradicionalmente praticado pelos profissionais das duas áreas discutidas. O Marketing estratégico enfatizará a concorrência e a empresa, em termos das respectivas potencialidades e vulnerabilidades, e o mercado. Relações Públicas concentrarão seus esforços na análise sistemática do comportamento dos vários públicos de interesse da organização, na avaliação desta e da concorrência (...) e na recomendação de ações destinadas ao atingimento dos objetivos estratégicos da organização". Provavelmente, uma gestão estratégica da organização e de sua comunicação, convergindo dois espaços tão próximos e dispersos ao mesmo tempo seja a solução para uma comunicação mais integrada, eficiente e eficaz em tudo o que se propor a fazer.

Referências: *Aulas da Profª Cláudia Nociolini Rebechi;
*GRUNIG, J. E. A função das relações públicas na administração e sua contribuição para a efetividade organizacional e societal. In: Revista Brasileira de Ciências da Comunicação. São Paulo: Intercom, 2001. p.67-92;
*TOLEDO e FORTES. Relações Públicas e Marketing, uma abordagem estratégica;
Imagem: www.mpg.caparica.com/b/ensino-superior/cursos

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Reportagem: Mídia Social - aliada ou inimiga?

Blogs, orkut, youtube, my space, qual o impacto que tais mídias causam na reputação das empresas?
Elas podem tanto contribuir quanto prejudicar e muito a imagem da empresa, é o que aborda a reportagem “Mídia Social dá Poder ao Cliente” da revista Comunicação Corporativa.

De um tempo pra cá ficou muito mais fácil expor opiniões, reclamações e elogios.
Com a internet e seu mundo de possibilidades não é difícil encontrar pela rede blogs e comunidades destinados somente a reclamar de determinadas empresas, existem comunidades que tem como nome “Eu Odeio determinada empresa de telefonia celular”.

E como tais acontecimentos eram de se prever as empresas estão cada vez se preparando para essas situações “Ao planejarmos nossa estratégia, levamos em conta que agora não somos mais os únicos interlocutores. Não adianta só a empresa falar bem de seu produto. A comunicação de cima para baixo não existe mais. Ela é horizontal e transita rapidamente” diz Marcelo Alonso, da Vivo.

E da mesma forma que muitas das reclamações dessas mídias têm fundamento, existem também as que não tem “Muitas ações ainda não foram definidas, mas já circulam pela internet como verdades estabelecidas”, Marcelo Alonso da Vivo.

E nada melhor que uma boa comunicação interna e externa da empresa para lidar com tal situação afinal tanto funcionário motivado quanto clientes satisfeitos podem contribuir para a defesa da empresa e venda de seus produtos.


Fonte: Revista Comunicação Corporativa, outubro, 2008

domingo, 17 de maio de 2009

Para aqueles que gostam tanto das Relações Públicas como dos filmes deixo aqui uma ótima dica.

"Obrigado por fumar", lançado em 2006, conta a história da vida de Nick Naylor, um Relações Públicas lobista de uma empresa de tabaco, que ao mesmo tempo que luta por uma imagem positiva do cigarro, tenta ser um bom pai para seu filho. Foi baseado no livro, de mesmo título, do autor Christopher Taylor Buckley.

O filme mostra que não existe o certo ou errado, e sim aquilo que cada um julga correto ou incorreto, pois todos têm o direito de escolher o que querem fazer ou como irão agir. Aborda o poder da persuasão e da argumentação; duas das maneiras pelas quais a população pode ser convencida a aderir a certas ideias ou pensamentos.

Fazendo uma breve analogia com a recente atuação de alguns dos profissionais das Relações Públicas no país, pode-se concluir que Naylor encaixa-se perfeitamente na qualidade de grande manipulador e estrategista.

sábado, 16 de maio de 2009

Para os interessados em saber como um Relações Públicas age para defender sua empresa, principalmente quando ela é mal vista pela sociedade, indico a leitura de "Obrigado por fumar" de Christopher Buckley. Para matar a curiosidade sobre a história, coloco abaixo um pequeno resumo do livro.


"O suposto herói da Academia de Pesquisa sobre o Tabaco, Nick Naylor, é retratado pelo romancista e ex-fumante, Christopher Buckley, de forma humorística. O autor expõe detalhadamente a história do Relações Públicas, Nick, que é porta-voz da indústria do tabaco e deixa de lado os princípios éticos para transformar a imagem do cigarro em algo que as pessoas comprem. Com o objetivo delimitado e utilizando-se seus artifícios de manipular informações, ele articula, de forma espetacular e cínica, todos os seus argumentos para colocar as grandes corporações como vítimas da sociedade.

O livro retrata muitas vezes a profissão do protagonista como lobby, uma atividade que só é legal nos EUA. A atividade em questão consiste em influenciar políticas de governo em favor da organização. Sem deixar de lado as sátiras que são feitas às atitudes desesperadas do senado norte-americano para prejudicar os negócios bilionários das indústrias de tabaco.

A história decorre principalmente sobre dois contextos. Primeiro a preocupação do presidente da Academia de Pesquisa sobre o Tabaco, Budd Rohrabacker – BR, a respeito da queda nas vendas da indústria do tabaco para os jovens fumantes. E o outro dilema acontece com o senador do Estado, Ortolan Finistirre, que conta com o apoio de instituições e associações contra o fumo, para inserir nos maços de cigarro a imagem de uma caveira junto com a palavra “veneno”.

Para ajudá-lo, Nick conta com os Mercadores da Morte – Mod Squad. Um grupo que se encontrava diariamente no Bert’s e reunia os porta-vozes das indústrias do tabaco, bebida e armas de fogo, sendo seus respectivos nomes Nick, Polly e Bobby Jay. Só assim, se sentiam a vontade para compartilhar os problemas do trabalho para as instituições mal-afamadas da sociedade.

Ao ver a possibilidade de um aumento de salário ou a substituição de seu cargo por uma mulher, o pai de Joey de apenas 12 anos, se vê com a necessidade de criar uma estratégia para que a venda de cigarros volte a crescer de uma maneira discreta, pois os opositores ao tabaco estavam tentando de todas as formas derrotar a academia, o que eles julgavam ser a grande responsável pela morte de cinqüenta e cinco milhões de fumantes norte-americanos. Seu plano insistia em inserir o cigarro novamente aos filmes de Hollywood, pois foi entre os principais atores de Hollywood, durante as cenas dos filmes, que o cigarro passou a influenciar a sociedade norte-americana, crescendo em grande escala as vendas do cigarro. Além desta estratégia, foi sugerido esporadicamente por Nick, durante uma entrevista na televisão, o investimento de cinco milhões de dólares em campanha para a prevenção do fuma entre as crianças do EUA.

Para impedir que as coisas sejam fáceis para o porta-voz, ele se envolve com a jornalista, Heather Holloway, que o seduz para descobrir detalhes sobre ele, sua profissão e suas possíveis armas de defesa para o que estava por vir. Assim, ela expõe tudo na primeira página do The Washington Probe, acabando com a reputação da carreira de Nick e sendo demitido por seus chefes, BR e Capitão – Doak Boykin, por ter dado informações sigilosas da academia. Dentre elas a possível apologia ao cigarro em filmes e a tentativa de suborno que Nick precisou fazer para que o Lorne Lucth, o homem Malboro, que estava com câncer, parasse com as denúncias que estava fazendo as empresas de tabaco.

Durante toda a trama, Nick deixa claro sua paixão pelos desafios que são colocados em sua vida sendo lobista, mais para ele não importa os danos que suas ações podem causar a sociedade, pois o lobby não é guiado por uma conduta ética. O que importava de verdade era para pagar a hipoteca de sua casa e a escola de seu filho, que acaba se envergonhando do trabalho do pai, por ouvir tantas críticas monstruosas a seu respeito. Então Nick explica o trabalho de um lobista para Joey e passa a ensiná-lo retórica. Assim ganha a admiração de seu filho, que durante todo o tempo tentava interagir com seu pai, que estava sempre ocupado ou preocupado com algo.

Contudo, podemos perceber que a cultura que se conhece pela manipulação dos fatos, nunca esteve tão bem descrita, como nesta comédia. Através dos argumentos, percebemos aquilo que Nick quer passar durante o livro: “...Se você argumenta corretamente, nunca está errado”.

E o final dessa história, sem grandes detalhes para não perder a curiosidade, é algo que nenhum leitor esperava, já que, em suma, Nick é preso durante dois anos, acusado de forjar o próprio sequestro, se relaciona com Polly que acaba ficando grávida e até tenta se matar por não aguentar mais tantas acusações por causa de seu trabalho.
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Referências Bibliográfica:
BUCKLEY, Christopher. Obrigado por fumar. São Paulo: Companhia das Letras, 1996. 309 páginas.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Case: 50 anos da Toyota no Brasil


Atualmente uma das principais montadoras e a Terceira maior fabricante de carros do mundo é a Toyota. Em 1958, a empresa se instalou no Brasil com o nome de Toyota do Brasil Industrial e Comércio Ltda. No mesmo ano, a primeira montadora foi inaugurada em São Paulo.

A fábrica de São Bernardo do Campo permaneceu por quatro décadas com operações intactas, ou seja, todos os processos desde a ideia até o produto final eram feitos pela própria empresa. Este fato aconteceu apenas em algumas empresas do mundo.

Em 2008, a Toyota completou 50 anos no Brasil, e fez campanha de dois anos para comemorar sua potência no mercado nacional. Acompanhe o CASE de sucesso relacionado a campanha feita pela empresa.

O slogan "Ampliando Horizontes" mostra a vontade da montadora em começar uma nova fase. O planejamento da campanha feita em 2008 começou a ser elaborada dois anos antes. Isso foi deito para que as metas fossem atingidas.

Os comunicadores logo perceberam as complicações para o sucesso das metas como separar a imagem corporativa da imagem do jeep bandeirantes (um dos principais produtos feitos pela marca no mundo), apresentar a história da empresa, entre outras.

O projeto foi realizado em três partes. Na 1ª parte foram feitas pesquisas em que foram levantadas informações. Foram realizadas entrevistas que resultaram na memória empresarial da marca.

A 2ª parte foi a execução das ações planejadas junto com produtos desenvolvidos. Já a 3ª parte, deu-se pela continuidade das dessa ações que ligavam-se aos 50 anos da Toyota no Brasil.

Para reforçar a imagem, foram distribuidos brindes e materiais informativos como exemplares históricos da empresa, malas diretas, agendas, entre outros. Surgi também um hotsite comemorando os 50 anos da empresa com sua história e com um video.

O evento comemorativo realizado teve como pessoas ilustres entre 1000 convidados, Shoichiro Toyoda, filho do fundador da montadora no Brasil, o presidente Lula, o governador José Serra e o prefeito de São Paulo Gilberto Kassab.

A campanha obteve grande sucesso e cumpriu suas metas. O hotsite da campanha é http://www.50anosdetoyotanobrasil.com.br/

Referências Bibliográficas
Fonte

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Artigo: “Parem de brincar com a comunicação interna”

Assim começa um post do blog Comunicação Organizacional de Fabio Albuquerque, Relações Públicas especialista em Estratégia Empresarial, ele coordena a área de comunicação e marketing da TV Tambaú, afiliada do SBT, e da Radio Tambaú FM.

Fabio da esse titulo ao post pois aborda justamente a falta de importância dada por muitas organizações a comunicação interna. Mesmo muitas vezes as organizações dizendo que estão cientes da importância do público interno, na prática é diferente, o orçamento destinado a essa área é bem menor se comparado a outras áreas comunicação e marketing.

Fabio diz que isso acontece as vezes por falta de conhecimento, as vezes por falta de interesse. A idéia de que apenas um quadro mural ou house organs se encarregarão de tudo é errada, mas é necessário uma estratégia a longo prazo.

Talvez muitas organizações se esqueçam que ninguém melhor para falar sobre ela do que seus próprios funcionários, é muito ruim para uma organização ter alguém de dentro que passe a emitir comentários negativos sobre o local que trabalha. É preciso saber que nos dias de hoje as pessoas estão muito mais informadas e conscientes de seus direitos, o que só faz com que a organização redobre sua atenção para com os próprios funcionários.

Fonte: http://fabioalbuquerque.blogspot.com/2008/02/parem-de-brincar-de-comunicao-interna.html

terça-feira, 12 de maio de 2009

Entrevista: Rodrigo Cogo



Para discutir com mais profundidade este tema tão amplo e muitas vezes complexo que é a Comunicação Organizacional, entrevistei Rodrigo Cogo*. Ele é formado em Relações Públicas e é referência na área de Comunicação Digital e Colaborativa, sua experiência nessa área lhe proporcionou o atual cargo de Gestor de Conteúdo da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial/ABERJE. Ele também é o criador do site www.mundorp.com.br, um dos sites mais visitados da área no Brasil (de acordo com o ranking de popularidade e visitação do mecanismo de busca Google)". Como profissional autônomo, além de alimentar seu próprio site, escreve para portais de notícias e blogs e dá palestras em vários estados brasileiros.

Cogo acredita que a Comunicação Organizacional é "uma área transversal que trata das interfaces comunicativas e relacionais com outros protagonistas sociais,(...) na consciência de que a comunicação é a força propulsora do funcionamento, da aceitação e da longevidade da organização."

Como profissional da área, Rodrigo reflete que "a maioria das empresas brasileiras ainda não perceberam que deixaram de ser o centro da emissão comunicativa, que este papel agora é dividido com outros grupos e pessoas que, num ambiente digital em rede, travam conversações entre si e desenvolvem impressões sobre as organizações independente de seus discursos oficiais". Sobre o cenário contemporâneo, lamenta por visualizar que as empresas nacionais tratam a comunicação como uma atividade técnica/mecanicista em detrimento de sua função estratégica, realizando apenas o manuseio de instrumentos para tentar levar aos seus públicos sua visão de mundo "sem o compartilhamento e o dialogismo necessários".

Cogo também acredita que o comum autoritarismo não deve imperar, é aconselhável às organizações disponibilizarem meios para a participação de seus públicos estratégicos, afinal "cada vez mais as pessoas desejam expressar-se e querem negociar a doação de seus cotidianos para o trabalho em troca de respeito e valorização ou estabelecer suas opções de negócios com mútuos ganhos. A Comunicação atual ainda não sabe partilhar e nem descobriu a potencialidade do engajamento e do comprometimento ascendentes toda vez que as tomadas de decisão são conversadas e levadas adiante sem conflitos". Não poderia deixar de agradecer ao Rodrigo por sua atenção e suas interessantes reflexões sobre a área.

*Rodrigo Cogo é formado em Relações Públicas pela Universidade Federal de Santa Maria (1994) e fez vários aperfeiçoamentos, um deles em Promoção de Vendas, Merchandising, Marketing de Relacionamento e Comunicação Digital pela Escola Superior de Propaganda e Marketing/ ESPM (1997). Em 2006, ganhou destaque especial no Prêmio Opinião Pública do Conselho Regional de Relações Públicas SP-PR. Atualmente, faz especialização em Gestão Estratégica em Comunicação Organizacional e Relações Públicas/GestCorp na escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo/ECA-USP.
Rodrigo escreve para diversos portais de notícias, como o Jornal da comunicação Corporativa(SP), Coletiva (RS), PQN Notícias(MG) e para os Conselhos Regionais de Profissionais de RP da 2ª e 3ª Regiões, além de blogs do Paraná, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraíba, São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco e Pará. Dá palestras de temas diversificados, exemplos são "Comunicação Colaborativa" e "Relações Públicas na internet: estratégias e resultados".

http://www.google.com.br;
Imagem: arquivo pessoal do Rodrigo.